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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

À espera da liberdade


Naquela noite fria
O vento soprou
Minhas mãos eram geladas
Ele percebeu
Eu vi na sua face
Um brilho profundo
No fundo dos seus olhos
Estava escrito liberdade
Foi aí que me perdi
Foi nessa escuridão que me encontrei
Perdida, sem rumo
Sem certeza
A voz ao pé do ouvido dizia
Quero te ver de novo
Foram sete dias
Sete noites frias
O telefone não tocou
Perdi a chave da minha liberdade
Perdi a chance de conhecer o baile
Nova noite
Novo frio
Desta vez sem vento
Olhos atentos
Força do pensamento
Ele caminhou em minha direção
A face era irreconhecível
O telefone deve tocar , isso é possível
Mais três dias
Que espero por outra noite fria

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Flor da favela

 Tem uma carta
que nunca chega
Uma flor
que eu desconheço


O remetente deve ter errado o endereço




Também puderas!
Flores na favela?
Já viu  alguém entregar?




Vi sim!
Favela é nome de flor
favela é nome de lugar
onde o povo vem morar




Arrancando as flores
o que me resta?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Borboleta

Voa  Borboleta
o mais alto que puder
Acha que pode tocar os céus
Encontra 
Pousa no galho mais alto
De baixo da nuvem escura
as asas pesam
Então borboleta caí
cai cai 
cai bem devagar
até o chão mais baixo encontrar

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Vontade de viver

 Abraçada a um corpo
 eternamente
necessito
 meu sustento
meu corpo
 De outro corpo para
parte de mim  arrancada
 vaga
onde a encontro?
E se eu disser
 o que realmente quero
E se eu fizer
 o que  realmente desejo
 ainda  vou existir?

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Duas coisas

Já vieram 
Eu subi
Me derrubaram do cavalo
Não eram verdadeiros
Eles vinham 
Eu lhes colocava a fantasia
Ia seguindo sem saber aonde ir
Eu sabia onde queria chegar
Eles não 
E me levaram para lugares 
Tão distantes
Percorri com eles
Caminho de espinhos
O que eu queria de verdade
Um bosque encantado
Colher flores no caminho
Colhi solidão
Espere
Mais um 
Se aproxima
E duas coisas  não tem

domingo, 25 de dezembro de 2011

Dias estranhos

"E nesses dias tão estranhos, fica poeira se escondendo pelos cantos..." (Legião Urbana)

Dia estranho hoje. Nem tanto. Acho que já vi igual.
Tenho medo da poeira que se esconde pelos cantos.
A chuva pode até cair, mas não vai lavar meu coração, nem tão pouco a sujeira que se esconde pelo mundo.
Entre os abraços dos estranhos, eu vi meu sonho indo embora.
Como a água suja que desce pelos becos do morro, assim é o dia da minha angústia.
Fácil demais imaginar o que ainda não existe.
Difícil  é perceber o que não está distante.
Eu vi um buraco de esgoto tragar toda sujeira.
Agora quero saber onde se esconde o oculto revelado e o não revelado
Alguém me responde?
o que é fantástico ou o que é ilusão?
Uma imensidão pequena que até eu desconheço
Quero saber o que se esconde no ralo
Eu abri a tampa e vi gotas borbulhando
Borbulharam muito fundo na dor da minha alma
Então preferi não ver
mas ainda dói, queima. arde em chamas
E vai corroendo, corrompendo até a última migalha que o pombo quer comer
Aí vem um rato, ele conhece o que eu não sei.
Ele não sente dor, acho que sabe fazer doer e roer. estraga , destrói, alastra...
Convivemos com ele ...eu sei
Tem sujeira nas unhas, mas já me acostumei com a companhia
Se for embora vai doer...eu sei.